quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Morro do Tucum

Relato de 01 de setembro de 2012

 Depois de muito tempo querendo subir o morro do Tucum, enfim estávamos eu e meu irmão (Rodolpho) sentido à BR-116, por volta das 08:00 hs da manhã. Da estrada já podíamos visualizar grande parte da Serra do Mar, incluindo o próprio Tucum, prometendo ser um belo dia de caminhada. Conforme orientações obtidas na internet, passamos o posto Túlio e entramos na primeira estrada de terra do lado direito, pelo qual prosseguimos por alguns poucos quilômetros até a fazenda da bolinha. Iniciamos a trilha por volta das 10:00 hs abaixo de sol intenso, o que não causou muitos problemas já que grande parte da trilha é feita dentro da floresta. 

Passados alguns belos riachos (água não é o problema nesta trilha) nos deparamos com uma das figuras mais famosas da trilha do Tucum, um imenso ceboleiro (Phytolacca dioica) que, de tão grande, precisaríamos de pelo menos mais sete pessoas para abraçá-lo.


 
Araçazeiro de grande porte (à esquerda) e o grande ceboleiro (à direita).


Neste ponto da trilha são comuns árvores de grande porte, como um belíssimo araçá (Psidium cattleianum) que abre sua copa a mais de 20 metros de altura. Depois de aproximadamente 1 hora de caminhada sem muito esforço, já havíamos passado a bifurcação que dá acesso ao morro do Ciririca e nos encontrávamos no limite entre a floresta e os campos de altitude.
Riacho no começo da trilha (à esquerda) e bifurcação para acesso ao Ciririca (à direita).
 
 Ao deixarmos a floresta para trás, chegamos ao ponto que requer o maior gasto de energia de toda a caminhada, a subida para o morro Camapuã. Daqui ainda não se avista o Tucum, apenas uma grande rampa de alta declividade, praticamente toda coberta por vegetação campestre, onde se destacavam alguns indivíduos de ipê-da-serra (Handroanthus catarinensis) com suas belas flores amarelas.
 
Início da subida para o Camapuã


Não se trata de uma grande distância, porém seu grau de inclinação, aliado a um sol escaldante, tornam essa subida um verdadeiro desafio. Mas como se diz, ”a vista lá de cima vale o esforço da subida” e realmente valeu, agora podíamos visualizar não somente o Tucum, mas também o PP, Itapiroca, Caratuva, Ciririca, etc... A mesma imagem que há muito tempo eu tinha visto reproduzida em um quadro na sala do meu professor, agora estava diante de meus olhos.
  
 Vista do Camapuã para o morro do Tucum (primeiro plano) e Pico Paraná (ao fundo). 

Após um tempo para descansar e admirar esta paisagem magnífica, retomamos a caminhada até o morro do Tucum, separado de nós apenas por um grande vale. Apesar de parecer ser mais uma subida extenuante como a do Camapuã, o grau de exigência da subida para o Tucum é muito menor, apresentando inclusive um excelente lugar para coletar água do lado esquerdo da trilha, mais ou menos na metade da subida. Ao chegarmos ao cume do Tucum, aos 1.741 m.s.n.m., fomos presenteados com um belíssimo visual praticamente sem nuvens, de onde podíamos avistar toda a Serra do Mar e até mesmo o litoral.  
 
 Vista do cume do morro do Tucum para o Pico Paraná.
 
 

Texto: Renann Vieira
Fotos: Renann Vieira e Rodolpho Vieira

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Serra da Prata


30 de janeiro de 2014

Conforme previsto, amanhece em Antonina mais um dia de céu azul, pouquíssimas nuvens e um calor intenso, prometendo um belo dia para um ataque na Serra da Prata. Com carona arranjada, partimos por volta das 07:00 hs (eu e o Ollyver) rumo ao km 24 da BR-277, local de acesso para a estrada da Limeira e do início de uma das trilhas para a subida da Serra da Prata.
 

Serra da Prata vista da estrada da Limeira.
 
Deste ponto, iniciamos a caminhada por pouco mais de 7 km até a casa do sr. Jaime, localizada logo após a ponte Morro Alto III, recém construída após os grandes deslizamentos de terra ocorridos no ano de 2011. Feitas as devidas apresentações, seguimos por volta das 09:00 hs até uma trilha que se inicia poucos metros à frente da casa, do lado esquerdo da estrada e que cruza um pequeno riacho. Como não conhecíamos a trilha pensamos em pegar água ali mesmo, porém logo desistimos acreditando que encontraríamos algum lugar com água de melhor qualidade. Após passarmos por um matagal, adentramos a floresta e logo identificamos às fitas refletivas junto às árvores e que nos acompanharam por toda a subida (excelente marcação da trilha). Sem dúvida nenhuma que qualquer amante de belas florestas ficaria extasiado diante de tanta beleza, não sendo exagero imaginar estar andando em florestas primárias, compostas por árvores gigantes raramente encontradas em outros locais.  Depois de aproximadamente 1h de caminhada nos deparamos com uma trilha secundária, marcada com setas amarelas nos troncos das árvores, pela qual seguimos imaginando se tratar de um ponto de água. Tal trilha desce por um vale até um bananal, de onde é possível acessar um rio visivelmente afetado pelos deslizamentos de 2011 e que, na ocasião, apresentava uma água amarelada. Aproveitamos este local para tomar um banho e fizemos nossa primeira refeição, por onde ficamos por pouco mais de meia hora. Retornando a trilha principal, marcada pelas fitas reflexivas, logo nos deparamos com pequeno riacho de águas cristalinas, onde abastecemos nossas garrafas para seguir.


 Rio localizado após a trilha com setas amarelas (à esquerda) e riacho localizado na trilha principal (à direita).
 
Após algum tempo de caminhada, a trilha que até então não apresentava grandes declividades dá lugar a uma pirambeira, algumas vezes passando logo acima de grandes movimentações de terra, onde ninguém gostaria de estar em uma tempestade. Na medida em que vencemos a altitude, a exuberante floresta diminui drasticamente de altura, onde se observa um verdadeiro espetáculo formado por inúmeras epífitas, principalmente bromélias que colorem a floresta com suas flores vermelhas e amarelas. Passados mais alguns deslizamentos começamos a adentrar nas altitudes mais elevadas desta serra, denunciada pela presença de matacões e de uma floresta tipicamente altomontana, composta por árvores baixas e de fustes retorcidos. Após alguns minutos de caminhada, deixamos a floresta para trás e começamos a caminhar por belíssimos campos de altitude, até um pequeno vale coberto por árvores e por onde passa um pequeno riacho, onde fizemos mais uma refeição e pudemos reabastecer nossa água, que a essa altura já tinha acabado. A partir daqui a caminhada se torna muito mais leve, quase sempre andando pelo campo e seguindo direto até o cume, agora possível de ser avistado. No final da última subida, logo abaixo do cume, chegamos a uma área de acampamento que seguramente abriga duas barracas pequenas (não mais que isso) e de onde se acessa o cume da Serra da Prata.
Local de acampamento logo abaixo do cume.
 
Após 7 horas de caminhada, por volta das 16:00 hs,  fomos recompensados com uma belíssima vista da Serra do Mar e um mar de nuvem para o lado do litoral. Enquanto descansávamos, a aproximação de nuvens nos causou certa tensão, fazendo com que apressássemos a descida, vencida após pouco mais de 3 horas.
 
Cume da Serra da Prata
 
 
Texto e fotos: Renann Vieira.